A cerveja
Bier (alemão), beer (inglês), zito (grego), pivo (tcheco), ol (sueco), biru (japonês), birra (italiano), bière (francês). Essas são as denominações que a cerveja
recebe em várias partes do mundo.
Ao que tudo indica, foi da palavra latina bibere que se originou uma série de termos usados em vários idiomas para designar esta bebida obtida com a fermentação
da cevada. Por meio de transformações semânticas passou-se de bibere para bier e para bior. Da palavra bier, teriam decorrido os termos bier, beer, birra e bière. Também é provável que de bibere derivou a palavra piva, com que os povos de idioma risso denominam a cerveja.
É curioso notar que bibere, em latim, não significa cerveja, mas apenas “beber”. O termo do latim clássico para designar a cerveja é cervisia, com a variante cerevisia. Dessa raiz derivaram as palavras cerveja, do português, e cerveza, do espanhol. Desde Plínio, o Velho, que viveu entre os anos 23 e 79 da era cristão, os estudiosos da Filologia acreditam que cervisia procede de Ceres, que na mitologia latina era a deusa da Agricultura.
O que é a cerveja
A cerveja é o resultado da fermentação alcoólica preparada de mosto
de cereal maltado, geralmente a cevada. Também pode-se adicionar mais de um cereal (milho, arroz, aveia ou trigo) com as sementes germinadas ou não. Entretanto, sabe-se hoje que o cereal mais importante para a boa qualidade da cerveja é a cevada. Ao mosto de malte é acrescentado ainda lúpulo
e levedura (fermento cervejeiro).
Essa é a fórmula básica para a produção de qualquer tipo de cerveja, cujo teor alcoólico varia de 3 a 8%. Sob a denominação de cerveja encontramos uma grande variedade de tipos dessa bebida, que são obtidos por processos que vão desde a fabricação caseira à industrial altamente tecnizada.
Para se chegar ao produto final, a cerveja no ponto para ser consumida, o processo de produção (tanto industrial como artesanal) passa por cinco fases; maltagem da cevada, secagem do malte e eliminação das radículas, moagem grossa do malte, brassagem ou mosturação, cozimento com o lúpulo (desse ponto em diante entra a fase da preparação do produto para o consumo, como filtragem, decantação, engarrafamento e pasteurização).
Basicamente, a fabricação industrial pode ser dividida em duas etapas principais (o que vale também para a fabricação artesanal): a mosturação e a fermentação.
A mosturação (brassagem) compreende a mistura do malte triturado com a água numa temperatura específica. Desse momento em diante, as enzimas que se desenvolveram durante a malteação começam a agir, principalmente as duas mais importantes, a alfa-amylase e a beta-amylase, transformando o amido em maltose. Além dessas duas há outras enzimas que exercem função importante durante a mosturação, e todas elas agem dentro de certos limites de temperatura e pH ideais. Para que elas cumpram suas funções mais eficientemente é necessária uma observância atenta e rigosorsa para que a temperatura não ultrapasse os 72ºC, pois se isso ocorrer as enzimas serão destruídas antes de cumprirem seus papéis.
Com o término desse processo, todo o amido do malte terá sido transformado em açúcar, podendo-se então proceder à separação do líquido dos resíduos (constituídos das cascas do malte e outras matérias não-transformadas). Através de filtragem, obtém-se um líquido turvo, que é denominado mosto.
Esse mosto é colocado para ferver, e então acrescenta-se o lúpulo (fase da lupulagem), que, através do cozimento, liberará as substâncias aromáticas e o príncipio amargo contido nas folhas. O lúpulo é o responsável pelo saber e aroma característicos da cerveja. Ferve-se então essa mistura por cerca de uma hora a alta temperatura.
Após o resfriamento, o mosto já está preparado para a etapa seguinte que é a fermentação, processada através do desenvolvimento do microorganismo Saccharomyces cerevisiae (fermento cervejeiro). A fermentação industrial divide-se em duas: a principal e a secundária. Na fermentação principal coloca-se o fermento cervejeiro para desencadear o verdadeiro processo de fermentação, que consiste na ação desses microorganismo naturais que transformam as moléculas de açúcar em álcool e CO2 (gás carbônico), com a liberação de calorias. Nesse momento se dá o nascimento da cerveja propriamente dita. Essa primeira etapa de fermentação ocorre geralmente entre 3 e 7 dias.
Completada essa etapa, passa-se para a fermentação secundária ou maturação. O mosto é transferido para tanques de maturação, onde a cerveja permace por 12 a 20 dias “repousando” a baixa temperatuda. O objetivo principal dessa fase é permitir um amadurecimento da cerveja, que terá um sabor e aroma mais apurados.
Finda a maturação, pode-se considerar o ciclo de fabricação encerrado. Agora, é o momento de preparar o produto para o consumo. Essa cerveja “bruta” precisa passar por um processo de filtragem e clarificação para a eliminação dos resíduos ainda em suspensão no líquido: isso dará o brilho e a translucidez da cerveja, exigidos pelo consumidor.
Após a filtragem, a cerveja é engarrafa ou embarrilhada. Em seguida à formação de CO2 suficiente na garrafa procede-se à pasteurização, cuja finalidade é interromper a fermentação, evitando o excesso de gás que provoca a explosão das garrafas.



